• Cristina Paula Baptista

Como medir o impacto social


Para saber se o trabalho de uma organização, seja ela uma empresa social ou uma instituição não-lucrativa, está a atingir os impactos sociais e ambientais projetados é necessário avaliar. Esta avaliação deve ser realizada ao longo das várias fases do programa de investimentos, através da realização de relatórios que permitam assegurar aos investidores que os seus objetivos, quer de impacto, quer de retorno, estão a ser cumpridos.

Como já referimos no artigo 3 desta série, os relatórios de impacto devem avaliar quatro áreas-chave: (i) o uso eficiente do capital; (ii) o impacto alcançado; (iii) a evolução do impacto ao longo de um determinado período; (iv) e as perspetivas futuras.  

A avaliação é, assim, um instrumento de gestão importante para todas as partes, devido ao feedback estruturado que fornece. É importante para o investidor acompanhar a evolução da realização dos objetivos de impacto e de retorno e para as empresas e organizações que assim alinham as suas atividades com a sua missão e objetivos futuros.

Várias metodologias de avaliação de impacto têm surgido. O objetivo é o desenvolvimento de quadros de medição de impactos uniformes. Algumas dessas metodologias são livres e estão disponíveis de forma aberta a quem as quiser utilizar, outras exigem um pagamento para serem utilizadas e há, ainda, aquelas que foram desenvolvidas por organismo de investimento (fundos de investimento de impacto, associações de investidores de impacto, etc.) que são fechadas e para uso exclusivo dessas instituições.

Segue-se uma lista das principais iniciativas no âmbito da avaliação de impacto, bem como metodologias de avaliação mais utilizadas pelas instituições que realizam investimentos de impacto:

 - Relatório de Impacto de Padrões de Investimento (IRIS) - é uma metodologia aberta, que fornece uma taxonomia de definições para o desempenho financeiro, social e ambiental; estabelece uma linguagem comum para os resultados de impacto que é usada em outras iniciativas de medição. Actualmente, com base no Global Impact Investing Network (GIIN), apoiado pela Fundação Rockefeller e pela Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) , também organiza e gere dados de desempenho de fundos de investimento e de redes de industrias de impacto.

Sistema de Avaliação do Investimento Global de Impacto (GIIRS) - é uma metodologia aberta, usada em conjunto com a taxonomia e definições IRIS. Esta é uma das maiores iniciativas globais e atua como um terceiro - avaliador independente - que usa os dados sobre impactos sociais e ambientais que lhe são fornecidos pelas empresas de impacto e pelos fundos de investimento de impacto, que são seus associados. O GIIRS tem como objetivo avaliar 4 áreas distintas: governança, trabalhadores/colaboradores, comunidades e meio ambiente. Um grande número de fundos de investimento e de investidores privados, com muitos milhares de milhões de dólares investidos em empresas sociais, alimentam a base de dados do GIIRS. As análises GRIIS estão agora a incorporar o PULSE - Software de Gestão de Investimentos de Impacto , destinado a apurar os resultados financeiros, operacionais, sociais e ambientais e permitindo que os relatórios de avaliação de impacto incorporem dados qualitativos e quantitativos, comparáveis por setor ou industria. 

Retorno Social do Investimento (SROI) - é uma metodologia aberta baseada no princípio de que pode ser usada em diferentes níveis de exigência e para diferentes fins, desde a tomada de decisão na organização/empresa, à influência na definição de políticas públicas. O SROI concentra-se no valor que está a ser criado e destruído por uma organização e que não é capturado pela análise financeira expressa nas suas contas. O SROI não fornece métricas ou indicadores específicos, por isso é muito flexível e credível, desde que adequadamente usado. Esta metodologia é inspirada nos relatórios de sustentabilidade, sendo que ambos consideram um valor mais amplo do que o valor financeiro, mas as suas raízes estão mais perto da contabilidade financeira, defendendo que os resultados obtidos (o valor do SROI) devem ser incluídos numa conta de valor mais ampla e, como tal, ser contabilizados e valorizados. 

- O Avaliador Social - é uma plataforma online paga, de suporte à utilização do SROI. 

A Melhor Opção Caritativa Alternativa (The Best Available Charitable Option) do Acumen Fund (BACO) - é uma metodologia aberta. O Fundo Acumen utiliza a metodologia BACO para quantificar o impacto social de um investimento e compará-lo com opções de caráter caritativo existentes e que pretendem dar resposta ao mesmo problema social. O BACO calcula um "custo por unidade social" e depois compara-o com a opção caritativa. Esta metodologia é muito útil quando estamos perante investimento filantrópico uma vez que permite aos doadores (filantropos) saber onde as suas doações serão mais efetivas, respondendo à questão: "Por cada euro investido qual o valor social gerado ao longo do ciclo de vida do investimento, relativamente à melhor opção caritativa existente?"

Bolsa de Valores Sociais (Social Stock Exchange) - Esta plataforma facilita a aproximação entre empresas de impacto social e ambiental que procuram financiamento no mercado e os investidores de impacto, que procuram com os seus investimentos gerar impacto e retornos financeiros. A SSE faz uma triagem das empresas presentes na plataforma através de um sistema de informação que visa assegurar que se trata de empresas de impacto comercialmente viáveis, ou seja, empresas que proporcionam uma mudança social ou ambiental real e que são sustentáveis do ponto de vista económico e financeiro, disponibilizando esta informação aos investidores. Para realizar esta triagem usam várias metodologias das melhores práticas, o resultado é muito semelhante, em estrutura, ao método SROI.

- RESI - Retorno Ecológico e Social do Investimento - é uma metodologia de avaliação criada por uma equipa de investigadores portugueses. Tal como o SROI é, também, uma metodologia inspirada nos relatórios de sustentabilidade chegando a um valor, o RESI, que deverá ser incluído numa conta de valor mais ampla na análise financeira da empresa.

Qualquer uma destas metodologias tem de tornar possível a elaboração de um Relatório de Impacto, já que este é um documento que todo o negócio de impacto social e, ou ambiental deve preparar com todo o cuidado e rigor tento em vista justificar essa condição (empresa social). 

O relatório de impacto é um documento que abarca informação sobre os vários aspetos do negócio social, tanto os que são desenvolvidos no presente como as perspetivas de futuro. O relatório de impacto é preparado sob a supervisão de uma organização de peritos, com formação em metodologias de medição e relatório de impacto. Esses peritos vão trabalhar com a empresa social no sentido de desenvolverem e avaliarem as métricas sociais e, ou ambientais relevantes para a área de negócio da empresa ou setor. Ao perito cabe assegurar e desenvolver os requisitos fundamentais de informação, avaliação e verificação. 

O relatório de impacto deve fornecer ao investidor as evidências de que o impacto social e, ou ambiental está a chegar aos seus beneficiários e que o modelo de negócio da empresa é o adequado à geração desses impactos. Para saber se o trabalho de uma organização, seja ela uma empresa social ou uma instituição não-lucrativa, está a atingir os impactos sociais e ambientais projetados é necessário avaliar. Esta avaliação deve ser realizada ao longo das várias fases do programa de investimentos, através da realização de relatórios que permitam assegurar aos investidores que os seus objetivos, quer de impacto, quer de retorno, estão a ser cumpridos.

Como já referimos no artigo 3 desta série, os relatórios de impacto devem avaliar quatro áreas-chave: (i) o uso eficiente do capital; (ii) o impacto alcançado; (iii) a evolução do impacto ao longo de um determinado período; (iv) e as perspetivas futuras.  

A avaliação é, assim, um instrumento de gestão importante para todas as partes, devido ao feedback estruturado que fornece. É importante para o investidor acompanhar a evolução da realização dos objetivos de impacto e de retorno e para as empresas e organizações que assim alinham as suas atividades com a sua missão e objetivos futuros.

Várias metodologias de avaliação de impacto têm surgido. O objetivo é o desenvolvimento de quadros de medição de impactos uniformes. Algumas dessas metodologias são livres e estão disponíveis de forma aberta a quem as quiser utilizar, outras exigem um pagamento para serem utilizadas e há, ainda, aquelas que foram desenvolvidas por organismo de investimento (fundos de investimento de impacto, associações de investidores de impacto, etc.) que são fechadas e para uso exclusivo dessas instituições.

Segue-se uma lista das principais iniciativas no âmbito da avaliação de impacto, bem como metodologias de avaliação mais utilizadas pelas instituições que realizam investimentos de impacto:

 - Relatório de Impacto de Padrões de Investimento (IRIS) - é uma metodologia aberta, que fornece uma taxonomia de definições para o desempenho financeiro, social e ambiental; estabelece uma linguagem comum para os resultados de impacto que é usada em outras iniciativas de medição. Actualmente, com base no Global Impact Investing Network (GIIN), apoiado pela Fundação Rockefeller e pela Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) , também organiza e gere dados de desempenho de fundos de investimento e de redes de industrias de impacto.

Sistema de Avaliação do Investimento Global de Impacto (GIIRS) - é uma metodologia aberta, usada em conjunto com a taxonomia e definições IRIS. Esta é uma das maiores iniciativas globais e atua como um terceiro - avaliador independente - que usa os dados sobre impactos sociais e ambientais que lhe são fornecidos pelas empresas de impacto e pelos fundos de investimento de impacto, que são seus associados. O GIIRS tem como objetivo avaliar 4 áreas distintas: governança, trabalhadores/colaboradores, comunidades e meio ambiente. Um grande número de fundos de investimento e de investidores privados, com muitos milhares de milhões de dólares investidos em empresas sociais, alimentam a base de dados do GIIRS. As análises GRIIS estão agora a incorporar o PULSE - Software de Gestão de Investimentos de Impacto , destinado a apurar os resultados financeiros, operacionais, sociais e ambientais e permitindo que os relatórios de avaliação de impacto incorporem dados qualitativos e quantitativos, comparáveis por setor ou industria. 

Retorno Social do Investimento (SROI) - é uma metodologia aberta baseada no princípio de que pode ser usada em diferentes níveis de exigência e para diferentes fins, desde a tomada de decisão na organização/empresa, à influência na definição de políticas públicas. O SROI concentra-se no valor que está a ser criado e destruído por uma organização e que não é capturado pela análise financeira expressa nas suas contas. O SROI não fornece métricas ou indicadores específicos, por isso é muito flexível e credível, desde que adequadamente usado. Esta metodologia é inspirada nos relatórios de sustentabilidade, sendo que ambos consideram um valor mais amplo do que o valor financeiro, mas as suas raízes estão mais perto da contabilidade financeira, defendendo que os resultados obtidos (o valor do SROI) devem ser incluídos numa conta de valor mais ampla e, como tal, ser contabilizados e valorizados. 

- O Avaliador Social - é uma plataforma online paga, de suporte à utilização do SROI. 

A Melhor Opção Caritativa Alternativa (The Best Available Charitable Option) do Acumen Fund (BACO) - é uma metodologia aberta. O Fundo Acumen utiliza a metodologia BACO para quantificar o impacto social de um investimento e compará-lo com opções de caráter caritativo existentes e que pretendem dar resposta ao mesmo problema social. O BACO calcula um "custo por unidade social" e depois compara-o com a opção caritativa. Esta metodologia é muito útil quando estamos perante investimento filantrópico uma vez que permite aos doadores (filantropos) saber onde as suas doações serão mais efetivas, respondendo à questão: "Por cada euro investido qual o valor social gerado ao longo do ciclo de vida do investimento, relativamente à melhor opção caritativa existente?"

Bolsa de Valores Sociais (Social Stock Exchange) - Esta plataforma facilita a aproximação entre empresas de impacto social e ambiental que procuram financiamento no mercado e os investidores de impacto, que procuram com os seus investimentos gerar impacto e retornos financeiros. A SSE faz uma triagem das empresas presentes na plataforma através de um sistema de informação que visa assegurar que se trata de empresas de impacto comercialmente viáveis, ou seja, empresas que proporcionam uma mudança social ou ambiental real e que são sustentáveis do ponto de vista económico e financeiro, disponibilizando esta informação aos investidores. Para realizar esta triagem usam várias metodologias das melhores práticas, o resultado é muito semelhante, em estrutura, ao método SROI.

- RESI - Retorno Ecológico e Social do Investimento  - é uma metodologia de avaliação criada por uma equipa de investigadores portugueses. Tal como o SROI é, também, uma metodologia inspirada nos relatórios de sustentabilidade chegando a um valor, o RESI, que deverá ser incluído numa conta de valor mais ampla na análise financeira da empresa.

Qualquer uma destas metodologias tem de tornar possível a elaboração de um Relatório de Impacto, já que este é um documento que todo o negócio de impacto social e, ou ambiental deve preparar com todo o cuidado e rigor tento em vista justificar essa condição (empresa social). 

O relatório de impacto é um documento que abarca informação sobre os vários aspetos do negócio social, tanto os que são desenvolvidos no presente como as perspetivas de futuro. O relatório de impacto é preparado sob a supervisão de uma organização de peritos, com formação em metodologias de medição e relatório de impacto. Esses peritos vão trabalhar com a empresa social no sentido de desenvolverem e avaliarem as métricas sociais e, ou ambientais relevantes para a área de negócio da empresa ou setor. Ao perito cabe assegurar e desenvolver os requisitos fundamentais de informação, avaliação e verificação. 

O relatório de impacto deve fornecer ao investidor as evidências de que o impacto social e, ou ambiental está a chegar aos seus beneficiários e que o modelo de negócio da empresa é o adequado à geração desses impactos. 

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