• Cristina Paula Baptista

New Frontiers of Philantropy


"Temos de nos tornar na mudança que queremos ver." Mahatma Gandi

Lester M. Salamon é Diretor do John Hopkins Center for Civil Society é um dos mais reputados investigadores nesta área, tendo conduzido o Non-Profit Comparative Study, em que Portugal também entrou.


Neste livro, Novas Fronteiras da Filantropia, Salamon dá-nos conta das novas tendências da filantropia e do investimento social na procura de soluções inovadoras para os graves problemas da pobreza, saúde, educação e ambientais com que o mundo se depara.


A propósito deste livro, Lester M. Salomon, publica na Stanford Social Inovation Review um interessante artigo, a partir do qual escrevo este post.


Com a redução dos recursos disponíveis, quer da filantropia tradicional (fundações e doadores individuais), quer dos Governos, a procura de novas soluções de financiamento da resposta social aos graves problemas da pobreza, saúde, educação e ambiental aparece-nos como inevitável. Contudo, as soluções que, caso a caso e um pouco por todo o mundo estão a surgir, são verdadeiramente surpreendentes. Na verdade, estamos a assistir à construção de modelos de parceria e de compromisso com a mudança social, que vão muito para lá dos tradicionais modelos da filantropia e que trazem para este terreno novos actores, novas técnicas e novas ferramentas que, até há bem pouco tempo, lhe eram desconhecidas. Para melhor compreender o que está a acontecer recorre-se ao conceito de "negócios yin yan", que são aqueles negócios em que, forças aparentemente contraditórias, quando aproveitadas as suas interdependências,  acabam por por ser as únicas capazes de gerar novas formas, mais eficazes, na resposta a dar. Ora, o que estamos a assistir é que este modelo dos negócios yin yan está a tornar-se no novo padrão de normalidade nos esforços de combate aos graves problemas sociais, económicos e ambientais que o nosso mundo enfrenta.


Esta "revolução" no investimento social, com uma enorme panóplia de ferramentas de investimento social e de novas técnicas, que estão a ser desenvolvidas tendo em vista a mobilização de recursos privados em prol de objectivos sociais, não é, ainda, suficientemente conhecida dos actores sociais e, por isso mesmo, não é, ainda, plenamente aproveitada. 


No centro desta revolução, poderemos, desde já, identificar 4 importantes processos de mudança são os seguintes:

  1. Vai além das bolsas, verifica-se a implementação de uma enorme variedade de novas ferramentas financeiras para promover créditos sociais, garantias a empréstimos sociais, investimentos privados, instrumentos de securitização de activos e, mais recentemente, os títulos de impacto social;

  2. Vai além das fundações trazendo novos actores e estruturas institucionais que agregam capital para o financiamento de objectivos sociais; são eles, capitais de investidores sociais, bolsas de valores sociais, corretores de fundos de empreendedorismo social, portais de internet (crowdfounding), etc.;

  3.  Vai além das doações, estão a formar-se pools de capital para fins sociais, não apenas através das doações dos ricos mas, também a partir da privatização de activos públicos (Philanthopication-thru-Privatization) e, ou da criação de fundos de investimento especializados para fins sociais;

  4. Vai além do dinheiro, recorrendo a novas formas de partilha e de permuta de bens e serviços, aqui a internet está a ter um papel decisivo ao facilitar não apenas as dádivas em dinheiro, mas uma enorme variedade de formas de assistência, voluntariado e trocas.

Paralelamente, um novo termo está a entrar na linguagem do investimento social: "alavancagem". No contexto da filantropia, "alavancagem" significa, encontrar uma nova forma de ir além dos recursos limitados da filantropia tradicional (fundações e doadores riscos) e governos, mobilizando para projectos com fins sociais e ambientais activos provenientes de outras fontes de financiamento e investimento, como bancos, fundos de pensões, seguradores, etc.

Esta nova filantropia do século XXI carateriza-se por ser:

  1. Mais diversificada, com mais actores envolvidos, mais instituições, mais instrumentos financeiros e mais fontes de financiamento;

  2. Mais empresarial, a captação de recursos é orientada pela procura de resultados mensuráveis, pela geração de retornos de impacto social, ambiental e económico;

  3. Mais global, envolve problemas à escala global (como é o caso das questões ambientais) e aplica modelos desenvolvidos em contextos transnacionais; 

  4. Mais colaborativa, as interações estabelecem-se não apenas com a sociedade civil mais ampla, mas, também, com novos empreendedores sociais, bem como com uma ampla gama de instituições financeiras privadas e agências governamentais.

Por fim, em jeito de conclusão, importa salientar a necessidade de se saber mais sobre estas experiências e de apresentarem "estudos de caso" de forma a que os gestores sociais e os empreendedores sociais delas possam aproveitar.

#filantropia #livros #inovaçãosocial #PtP

25 visualizações