• Cristina Paula Baptista

Porquê o investimento de impacto?



O investimento de impacto social corresponde a uma mudança no modo como os investidores pensam acerca da forma como aplicam o seu dinheiro e dos retornos que daí obtêm. Em vez de se concentrarem, apenas, sobre a possibilidade de retorno financeiro, os investidores também pensam nos impactos sociais e ambientais que o seus investimentos estão a criar.


Não se trata de diminuir a importância do retorno financeiro, que é uma das dimensão do investimento de impacto que não pode, nem deve, ser sacrificada, mas de ir além dela e poder ver os efeitos do seu investimento, na sociedade e no meio ambiente.

Como já tive oportunidade de referir em outras ocasiões, o investimento de impacto já existe há algum tempo, sendo de destacar o crescente interesse dos investidores nos resultados sociais e ambientais das suas decisões de investimento. Este tipo de investimento representa uma evolução do mercado de investimento socialmente responsável (SRI), que, apesar da sua dimensão e importância tem servido sobretudo para excluir as organizações consideradas "más", ou seja, as empresas que não seguem os critérios SRI. 

Em Portugal, não obstante as várias iniciativas no âmbito da responsabilidade social das empresas e da sustentabilidade, não se chegou a desenvolver um mercado de investimento socialmente responsável (SRI). De facto, no mercado de investimento em Portugal, designadamente ao nível dos fundos de investimento, não é fácil obter informação acerca das políticas de responsabilidade social e ambiental das empresas que compõem a carteira de investimentos do fundo e, com excessão dos fundos de investimento alternativo destinados às energias renováveis, não há oferta de produtos de investimento socialmente responsáveis. Esta situação é susceptível de criar alguma confusão, quer entre os operadores do mercado, quer nos investidores, quanto às diferenças que existem entre o que é investimento socialmente responsável (SRI) e o que é investimento de impacto.

Um conjunto de circunstâncias, onde sobressai a crise financeira, tem levado as empresas, os governo e de um modo geral a sociedade, a questionar o modo como as políticas financeiras e as opções de financiamento têm influencia na economia e no bem público.

Os crescentes encargos com as dívidas públicas e o que isso tem representado em termos de sacrifícios impostos pelos governos aos cidadãos, tem suscitado o debate e a reflexão acerca do uso eficiente do dinheiro; por outro lado, com as redes sociais, as questões sociais e ambientais estão a ser amplamente debatidas e a suscitar o interesse de cada vez mais pessoas e organizações sociais. O mundo está a mudar e a mudar rapidamente e as velhas soluções não se mostram adequadas às novas preocupações e necessidades sociais e é neste novo contexto que o investimento de impacto surge como uma alternativa e uma oportunidade de mudança positiva. 

O investimento de impacto, aparece, assim, como um passo em frente, relativamente ao mercado de investimento socialmente responsável e, em mercados como o do Reino Unido e EUA, tem sido estimulado através dos três tipos principais de investidores: os investidores profissionais, representados, essencialmente, pelos fundos de pensões; os fundos especializados e os governos. As motivações de cada um destes investidores são diferentes mas servem um propósito comum de canalizar os investimentos para a economia e para o bem público.

Vejamos, então as razões de cada um destes operadores do mercado, no sentido do desenvolvimento das oportunidades de investimento de impacto.

Desde o início da crise financeira que os fundos de pensões procuram reduzir a sua exposição à volatilidade do mercado dominante através do investimento em mercados alternativos, o investimento de impacto surge, assim, como uma alternativa séria, desde logo porque se destina à economia real.

Para os fundos especializados o objetivo é reduzir a exposição ao mercado financeiro e ganhar posição em sectores específicos, numa lógica de intervenção na tomada de decisões económicas nesse sector, isto levou a investimentos, por exemplo, em habitação, educação, ambiente, infra-estruturas, etc.

Já os governos e as organizações não-lucrativas que, com eles, asseguram as prestações sociais, como sejam a saúde, educação, luta contra a pobreza, podem apoiar o acesso das empresas e organizações sociais ao capital de que necessitam para desenvolver os seus negócios de impacto social e ambiental. 

Na verdade, o investimento de impacto é dirigido à economia real, às empresas e organizações que estão à procura de soluções para a resolução dos graves problemas sociais e ambientais com os quais, hoje, nos debatemos. É um investimento que cria riqueza, que gera retornos financeiros e que permite criar impactos positivos na sociedade. 

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