• Cristina Paula Baptista

Sociedade Civil: que futuro?

Em Davos, em 2013, o World Economic Forum teve como tema as organizações da sociedade civil, as suas dinâmicas e o seu potencial de desenvolvimento como parceiros para a mudança e o desenvolvimento. Nessa altura foi apresentado o relatório The Future Role of Civil Society que procura perspectivar o papel da sociedade civil até 2030, respondendo a três questões essenciais:

  1. Qual o contexto em que operam as organizações da sociedade civil?

  2. Qual o contexto em que estas organizações vão estar a operar em 2030?

  3. Que novos modelos de relacionamento será necessário desenvolver entre as organizações da sociedade civil, empresas, governos e organizações internacionais nesse contexto?

O Relatório é um documento que contou com a participação de muitas pessoas, incluindo destacados líderes da sociedade civil global. Em todos eles há a convicção de que o papel da sociedade civil é cada vez mais determinante na procura de soluções inovadoras para os graves problemas com que as pessoas se debatem à escala local, nacional e global. 


Comecemos por repensar o conceito de "sociedade civil", já não estamos apenas, e só, perante instituições não governamentais sem fins lucrativos; hoje, a sociedade civil envolve um crescente e vibrante número de organizações, formais e informais, que estão a esbater as tradicionais fronteiras entre os sectores e a experimentar novas formas de organizações sociais, no online e não só. Apenas como exemplo, temos todo o fenómeno das empresas sociais, mas, também, novos instrumentos de financiamento vocacionados para o desenvolvimento e a inovação social.


As regras, também, estão a mudar e os actores da sociedade civil já demonstraram o seu valor como facilitadores do diálogo social, bem como prestadores de serviços e defensores de causas. Enquanto instituições privadas estão a fazer a diferença no sentido da mudança social positiva, mantendo viva a crença de que existem alternativas ao alcance dos homens e mulheres que desejam um mundo melhor.


Seguindo as linhas de reflexão do Relatório, conclui-se por uma alteração muito significativa no contexto em que a sociedade civil tem vindo a actuar. O mundo está em mudança acelerada e há novas realidades: o poder económico e geopolítico não é mais um exclusivo da Europa e dos EUA; as novas tecnologias estão a mudar significativamente os modelos de financiamento, deslocando-se para novas causas sociais; e a repressão política está a limitar a actuação da sociedade civil em muitos países. Estas circunstâncias colocam às organizações novos desafios, geram novas oportunidades e requerem uma rápida adaptação por parte dos actores mais tradicionais. 


Não obstante, a sociedade civil na actualidade é vibrante, diversa e ocupa um espaço crescente na procura de novas e inovadoras respostas aos desafios sociais e de promoção da ética e da transparência, tanto à escala local e nacional, como à global.


No futuro, que já começou, os lideres da sociedade civil precisam de estar atentos ao significado de todas estas mudanças e à forma como elas moldarão a sua acção social e, em especial, à forma como afectarão as suas relações com empresas, governos e instituições internacionais. Num mundo incerto e turbulento os vários actores não podem mais trabalhar de forma isolada, a resposta aos novos desafios sociais tem de ser encontrada de forma mais eficiente e isso requer que se transcenda a tradicional divisão em setores. Isto significa que as organizações da sociedade civil têm que encontrar novas fontes de inspiração e de acção para que a sua adaptação tenha sucesso.  


Um dado parece certo, o poder e a influência da sociedade civil está em crescimento e deve ser usado para gerar confiança e facilitar a comunicação entre os três setores. Como salienta o relatório, as mudanças pelas quais as organizações da sociedade civil têm estado a passar sugerem que esta não poderá ser vista como "3º Setor" durante muito mais tempo. A sociedade civil é a cola que une as actividades pública e privada, agindo todas juntas de modo a fortalecer o "bem comum".  


Os líderes da sociedade civil têm a responsabilidade de prosseguirem a sua missão, com integridade, propósito e confiança. O mundo precisa destas organizações independentes que actuem como "fiscalizadores", guardiãs da ética e advogando pelas causas dos marginalizados e dos socialmente mais desfavorecidos. 


Por fim, a sociedade civil, em todas as suas novas formas, tem um importante papel na realização por parte de todos, incluindo ela própria, de elevados padrões de ética e de transparência.


Para mais informação sugiro a leitura do Relatório.  

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